• Paulo Freire: o Andarilho da utopia
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    Agora como é que nós moramos, uma casa que tem um quarto só que é tudo. É banheiro, é sala, é quarto de dormir, é tudo, com os cachorros misturados. Quando nós chegamos em casa às 22:00h da noite, 20h da noite, 19h da noite, os meninos estão endiabrados porque não comeram bem, tão sujos não tem água para tomar banho, porque a gente não tem chuveiro elétrico, a gente não tem água assim a solta em casa, os meninos estão com fome, chateados, cansados, aborrecidos e impertinentes, e nós não podemos deixar de dormir porque no dia seguinte às 04:00h da manhã a fábrica apita para acordar o bairro inteiro. E aí dizia ele, como é que o senhor vai querer que, com uma situação como essa, a gente tem o diálogo que o senhor quer? Quer dizer, ele me fez naquela noite uma análise de classe que eu não tinha sido capaz de fazer.
  • Paulo Freire e Sérgio Guimarães 7- As aventuras do jovem adolescente
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    Essa experiência minha, quando eu fazia essa andarilhagem tímida pelos Estados Unidos, aprendendo essa coisa concreta e óbvia do terceiro mundo no primeiro mundo e o primeiro mundo no terceiro mundo, aprendendo a força da raiva do branco contra o negro, a violência, o desrespeito do corpo; o corpo negro feito e vivido pelo corpo branco, o corpo branco que se decretava a si mesmo como superior geneticamente ao corpo negro se unindo estupefacciado no artigo de Harvard Christian Nalf; um cientista que dizia: eu até que gostaria, mais ou menos isso, eu até que gostaria de dizer que os negros não são inferiores aos brancos, mas a ciência não me permite; eles são geneticamente inferiores. Quer dizer, essa... Eu te confesso, Sérgio, que eu já imaginava essas coisas, mas as durezas de vê-las, pegá-las, de senti-las, de ser sentido por elas foi de uma riqueza enorme para meu aprendizado nos Estados Unidos.
  • Paulo Freire e Sérgio Guimarães: aprendendo 8- Estados Unidos passagem permanente
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    Eu tive experiências de passar um fim de semana em um gueto em Boston, onde eu era conduzido diariamente com dois ou três deles no carro deles. Passava o dia todinho dentro de uma sala com um grupo de negros, almoçava com eles, sanduíche e coca-cola, dentro da sala e, de noitinha, me levavam de volta para casa onde eu estava, quer dizer, eu não tinha o direito de passar pela rua, a não ser com eles, entende isso? Também foi altamente pedagógico para mim porque eu tive a experiência nítida, concreta, objetiva da maldade, da discriminação.
  • Aprendendo Paulo Freire e Sérgio Guimarães 4- Uma pedagogia da boniteza; do ético
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    A minha passagem por Harvard queira tenha sido uma passagem gratificante por n razões: primeiro, pela minha experiência com esse mundo altamente tecnológico, misterioso, que é a sociedade norte-americana… a minha experiência com a discriminação, que eu nunca tinha vivido com tanta… que eu nunca tinha visto com tanta intensidade, a discriminação no Brasil existe nos somos uma sociedade racista, machista, autoritária, mas para mim pelo fato de que o capitalismo não deu certo, e espero que não tenha dado certo ainda mas sim de que não de certo nunca , oque acontece é que a quantidade dos negros brasileiros está fustigando o medo dos brancos, a coocorreria em empregos é muito pequena ainda, e por que é pequena? então é porque os brancos são racistas numerosos.
  • Paulo Freire e Sérgio Guimarães: aprendendo 8- Estados Unidos passagem permanente
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    É preciso estabelecer, superar essa posição ingênua da qual eu também fiz parte, de que tudo nos Estados Unidos seria ruim, e não é, não é verdade. Nada é totalmente ruim ou totalmente bom; quer dizer que você tem na democracia norte-americana uma série de coisas altamente positivas; agora, o que eu acho é que o que há de positivo na experiência democrática não é suficiente para que alguns norte-americanos pensem de si como pedagogos da liberdade do mundo. No meu entender, a sociedade americana tem muito que andar, tem muito que pensar, tem muito que refazer para poder pensar que é tão democrática quanto ela pensa que é.
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