• Arquivo N – Paulo Freire, o Educador
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    Qualquer campanha de alfabetização no Brasil que não passe por uma séria e profunda preocupação com a escola pública primária e qualquer preocupação com a alfabetização de adultos, que não implique numa injeção de verbas nas escolas públicas de primeiro grau tende a fracassar.
  • Seminário 'Reflexão sobre processo metodológico de alfabetização'
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    Me lembro depois de ter trabalhado desde 1945/46 junto com operários limpando os municípios e de ter aprendido no meu trabalho e de ter ensinado aos operários. Me lembro de ter aprendido muito com eles e foi exatamente nesse processo de ensinar e aprender e ao analisar sempre os resultados do trabalho que eu um dia me coloquei a questão de por que não pesquisar alguma coisa no campo da alfabetização dos adultos com que nós pudéssemos dar uma contribuição ao processo do ensino de ler e escrever que superasse os absurdos que se faziam na época. Essa indagação que se fundava muito na minha experiência anterior que começou no fim dos anos 40 eu não teria feito a pergunta que fiz.
  • Entrevista de Paulo Freire ao Globo Ciência sobre Alfabetização (Programa 281)
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    [Entrevistadora]: Qual é o pulo do gato na alfabetização de jovens e adultos? Qual é o grande segredo desse trabalho? [Paulo Freire]: Há alguns segredos neste trabalho, que no fundo não são segredos. Um deles é aquele que eu falei antes, quer dizer, é preciso que o educando, que isso não é só na alfabetização, mas que o educando não apenas se reconheça, mas se assuma como sujeito, como curiosidade crítica, e como criatividade no processo de saber, quer dizer, no processo de conhecer. Agora você veja que para que um educador possibilite, chame, convoque, desafie o educando, no sentido em que o educando tome na mão dele ou dela, esse gosto de criar, de se arriscar, de se aventurar , é preciso que esse educador seja democrático, é preciso que esse educador ou essa educadora respeite na verdade a limitação, as limitações, as possibilidades, a curiosidade do educando.
  • Paulo Freire entrevistado no programa 'Matéria Prima' da TV Cultura
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    Quando a gente pensa em alfabetização, em programas de alfabetização de adultos, em projetos de alfabetização de adultos, eu acho que a gente deve pensar, deve se preocupar com os seguintes itens, sem os quais não é possível fazer um programa válido primeiro é preciso haver dinheiro, educação é uma coisa cara, realmente cara, é preciso haver dinheiro, quer dizer, só na base da boa vontade não se faz uma coisa dessas segundo é preciso haver competência científica, uma parte daqueles que fazem o programa que fazem o projeto terceiro é preciso haver por parte daqueles que se fazem os alfabetizandos é preciso que na sociedade se faça um tal clima histórico, cultural, político que provoque nos alfabetizandos a consciência do direito de ler, de ler a palavra e de ler o mundo, sem esses itens, sem esses momentos, o dinheiro pra financiar, a competência científica, técnica, o respeito a isso, o respeito ao povo, sem a vontade popular que esteja clara, lúcida, como demandante de um direito que tem, um direito de ler a palavra, de ler o mundo, então não pode haver programa.
  • Conferência do professor Paulo Freire e entrega do título de cidadão uberabense
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    Os primeiros momentos da alfabetização de adultos deveriam ser usados no sentido de trabalhar a superação desses saberes infundados que os analfabetos criam como o saber da sua inferioridade. Não! Não é inferior. Quer dizer, ele pode também saber fazer as coisas que a gente sabe que a gente teve prática para saber.
  • Lançamento do livro 'Paulo Freire: uma Biobibliografia'
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    O que há é utopia, o que há é sonho que o neoliberalismo cismou que acabou e é preciso para o neoliberalismo que acabem os sonhos e as utopias, porque eles não resistem aos sonhos e às utopias. Um outro camponês, que no Brasil, debate o conceito de Cultura, ele disse, agora, e, esse foi um discurso lapidado, ele disse ‘Agora, até pode que o Brasil não mude, agora eu sei que até pode que o Brasil não mude, mas não é por causa da vontade de Deus’. Não é porque brasileiro seja político, quer dizer, aquele outro professor, aquele outro grande educador que fez esse discurso estava realmente ateoriando-se, tomando nas mãos a compreensão da história como possibilidade e não da história como determinação. A mesma coisa eu ouvi em Caboeiro, anos atrás, quando visitando uma experiência numa cooperativa de produção de bananas. Cheguei e os educadores estavam trabalhando com os grupos de alfabetizados, que se reuniram todos num galpão, e aí eu fui me apresentar pessoalmente, e um deles avança assim e pede a palavra e fala. Faz um discurso, simples como o povo, fala e em um certo momento, me olha e diz, se esses intelectuais não tiveram nunca essa experiência salutar que é o diálogo com o povo-povo, pode até ter a tentação de dizer que essas coisas que eu estou citando aqui são mentirosas, não ouvem. Mas, qualquer intelectual que tenha tido experiências em áreas culturais, sabe que eu não estou mentindo. E aquele camponês de Caboeiro, em certo momento da sua fala, me olha e me diz: ‘Camarada, Paulo Freire, nós queremos agradecer a você pelas ideias que você teve de facilitar que a gente aprenda a ler e escrever, mas muito mais importante que do aprender a escrever e a ler, foi juntar a aprender a ler e a escrever, aprender também a pensar’. Puxa, quando aquele camponês de Caboeiro disse, eu sabia que ele não estava dizendo antes de você eu não pensava, sabia disso. Não era isso que ele estava dizendo, o que ele estava dizendo, o que ele estava tentando dizer mesmo que não explicitasse ao nível da teoria, não importa, como teórico cabia a mim até interpretar a teoria que ele não estava ainda capaz de dizer. Mas, no fundo, o que ele estava dizendo ‘Paulo, velho, muito obrigado porque você veio provando que não é possível aprender a ler e escrever sem pensar criticamente’. Era isso que ele queria dizer. E, na verdade, é impossível. A concepção mecanicista da linguagem é absolutamente falida. É preciso entender a substantividade crítica do fenômeno da linguagem, enquanto invenção da gente.
  • Entrevista de Paulo Freire ao Globo Ciência sobre Alfabetização (Programa 281)
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    Quando você pensa no trabalho de alfabetização de adultos se chame campanha, ou movimento, como você quiser chamar. Você tem que pensar numa espécie assim de conjuntos, de componentes, faltando um dos quais a coisa começa a embananar. Que componentes são esses? De um lado, o dinheiro. Você tem que ter na verdade uma verba forte, grossa, graúda, você tem que ter um baita orçamento. Educação é uma coisa cara, é preciso que o Brasil se capacite sabendo que é uma coisa cara, a educação. Não é de graça que se faz a educação. Segundo, você tem que ter um quadro, isso tudo simultaneamente, um quadro competente. Uma competência científica, uma competência técnica, seja inclusive capaz de se reproduzir, se multiplicar. O que vale dizer, que eu falo inicialmente em equipe centrais, em equipe geradoras.
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