• Encontros com Paulo Freire
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    Essa questão de capacitar, da capacitação do educador, é indispensável, mas é preciso saber que toda capacitação técnico científica é também já política. Eu vou ver se eu explico isso. Quer dizer, não nenhuma prática científica que não seja política ao mesmo tempo. Por exemplo, basta que eu pergunte a mim mesmo: em favor de quem eu faço ciência, em favor de quem eu estou conhecendo essas coisas e contra a quem eu estou conhecendo? Para eu conhecer que o ato de experimentar-me cientificamente não é neutro de jeito nenhum. Ora, e, aí é que é outro nó. É que você não pode exigir de uma política dominante, de uma classe dominante, que ela ilumine politicamente em função dos interesses populares o trabalho da educadora. Não sei se estou claro ou estou confundindo muita coisa. Então, aí, Toninho que uma das tarefas, por exemplo, dos órgãos de categoria, por exemplo, da categoria dos professores. Uma das tarefas políticas para mim desses órgãos seria exatamente tomar a si, com uma seriedade enorme, a responsabilidade também da formação permanente dos quadros dos professores, como tarefa política da formação científica e da formação política das educadoras e dos educadores.
  • Paulo Freire Especial – Globo Ciência (Programa 607)
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    A formação permanente do educador passa pela reflexão crítica que o educador exerce sobre sua prática.
  • Escola Pública
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    Nós estamos impenhadíssimos no que a gente vem chamando de formação permanente da educadora. Quer dizer, não é possível mudar a cara da escola sem se centrar fundamentalmente na formação permanente da educadora. Quer dizer, para nós, a formação permanente passa pela análise crítica da prática da educadora.
  • Conferência do professor Paulo Freire e entrega do título de cidadão uberabense
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    A formação permanente da educadora deve ser muito bem trabalhada e a educadora ou as educadoras devem assumir sua própria formação com absoluta responsabilidade, quer dizer, com a consciência de que é preciso formar-se permanentemente. De que a formação não é uma experiência transitória. É preciso a gente superar a compreensão da formação permanente que, às vezes, a gente faz coincidir com o que se chama de reciclagem da educadora. Eu acho que a formação permanente tem nada a ver com esse conceito mecanicista da reciclagem. Por isso mesmo então a formação permanente, no meu entender, se funda na análise da prática. Quer dizer, é analisando a minha prática com outros que analisam também sua prática que é possível que eu descubra na prática dos outros alguma coisa que ilumine problemas que eu tinha e tenho na minha prática. Quer dizer, é analisando a prática, é discutindo os obstáculos encontrados na prática que eu percebo a teoria da prática.
  • Palestra de Paulo Freire no DESED (Banco do Brasil)
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    E mais uma vez a gente vê, por exemplo, como os governos que a gente tem tido desprezam tanto a formação da professora e a formação do professor. Quer dizer, é uma coisa absurda a realidade brasileira. E o problema da formação do educador que é um problema dos mais importantes que a gente tem é uma coisa que não para nunca, quer dizer, porque ninguém nunca parou, ninguém nunca para a sua formação. A formação é um processo permanente, quer dizer, eu deixo de me formar quando morro, mas enquanto vivo estou bulindo, mexendo, eu estou continuando a me formar. Então a formação não é, por exemplo, a formação do professor se dá antes que ele seja professor, se dá durante o tempo que está sendo professor. Quer dizer, e a sua formação permanente tem que ver com o aprofundamento crítico da análise que ele faça de sua própria prática. Quer dizer, é estudando o que eu faço, é procurando conhecer melhor a razão de ser daquilo que eu faço que eu me preparo melhor para continuar fazendo. Eu não invejo quem seja Ministro da Educação desse país daqui a pouco, porque enfrentar o déficit da quantidade e o déficit da qualidade na educação brasileira é tarefa para negócio de cinquenta, vinte anos, no mínimo, ou trinta. A gente chega ao fim de um século que é milênio com umas estatísticas vergonhosas com relação a isso e ao resto. O Brasil é todo ele um grande problema. Então essa questão ética, eu diria que também se coloca na prática educativa e deveria ser uma exigência a nós próprios. Quer dizer, até que ponto eu teria o direito de enganar o aluno, por exemplo, de mentir. O aluno faz uma pergunta e em lugar de que eu diga a ele: ‘Olha, puxa, eu sinto muito, mas no momento eu não sei responder a tua pergunta, mas eu vou estudar. Eu vou estudar durante essa semana e possivelmente na próxima semana a gente volta a esse tema e eu te digo como é que eu ando no meu estudo’. Quer dizer em lugar de dizer isso o professor inventa uma resposta que não tem nada que ver com a pergunta que foi feita. Quer dizer, por quê? Por quê isso? Porque o professor não pode dizer que não sabe, você veja que isso é um mito absolutamente ingênuo e absurdo. Quer dizer, não saber é uma das condições para vir a saber. E não uma condição de vergonha. Quer dizer, errar faz parte do processo de conhecimento e não está fora do processo de conhecimento como um pecado. Um pecado que deve ser punido.
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